A PROTEÇÃO AOS EMPRESÁRIOS E O DESCASO COM OS CIDADÃOS
No sistema mundial em que vivemos aprendemos que nunca somos a preferência da política. Pelo menos não enquanto não resguardamos alguma relevância, não temos nossas caras estampadas na listas de pessoas influentes. Porque nossa sociedade é baseada na nota verde, que gera um crime social gravíssimo: a doação de privilégios.
A Crise Mundial do Capitalismo, declarada há poucos meses, nos faz ter nítida a idéia do privilégio gerado pela detenção de capital. As grandes empresas como montadoras (GM, Ford, Chrysler) ou os grandes bancos são os primeiros da lista para receberem fortunas do Estado, de forma a iniciarem uma reconstrução de seu patrimônio. Segundo especialistas essas empresas são responsáveis por circulação de dinheiro e fortalecem a economia. Mas porque a economia é tão dependente de tão poucas instituições. Para encaixar essa questão no que pretendo abordar, pergunto: porque quem rege o caminho da economia é o grande capital, com poucas pessoas no controle, e não a necessidade da população, enorme e pobre? Porque não utilizar os 700 bi injetados nestas grandes empresas na reconstrução de Nova Orleans, região devastada pelo furacão Katrina, cujos gastos não chegaram a 1/100 desse valor? Saibam que Nova Orleans perdeu empregos, escolas, residências, transportes e até hoje boa parte deles ainda não foi recuperada. Saibam mais, Nova Orleans é local popular, distante da opulência de Las Vegas ou Nova Iorque, que se sofressem algo parecido estariam melhores que antes de um suposto desastre.
Na mesma lógica podemos citar a diferente ênfase destinada na ajuda para Santa Catarina e para os Estados do Nordeste. Enquanto que Santa Catarina recebe todos os holofotes da imprensa, todos os auxílios da população brasileira, toda a visita dos governantes o Nordeste brasileiro, região de secas profundas, continua sem conhecer a cara dos políticos. Não discuto aqui o mérito da ajuda a Santa Catarina. A mobilização é bonita, louvável e necessária. Mas e o Nordeste, onde fica nessa história? Os calos da população dessa jornada incessante de desafios por conta das dificuldades de subsistência em tal ambiente não é desculpa para tornar-se alheio ao fato. Mais uma vez a influência, a notoriedade social cria uma disparidade.
O que falar então da forma como são tratados os diferentes criminosos? Por que uns merecem cela especial enquanto outros, pelo mesmo crime, ficam abarrotados em cubículos, se digladiando pela sobrevivência. Por que um diploma vale tanta regalia para quem burla as regras sociais. Deveria ser o oposto, um agravante, pois um diploma representa conhecimento e condição social, características que supostamente deixam a pessoa mais inserida e mais cientes de seus deveres sociais. Mas não. Aí se vai mais uma prova da nossa meritocracia distorcida.
Por final deixo para tratar de um assunto que não fere tanto a população mais pobre, mas reflete uma desigualdade no que tange os sistemas de proteção à empresa e ao consumidor. Refere-se aos problemas de atrasos e overbooks, sempre acontecendo no transporte aeroviário brasileiro. Para ilustrar o problema de atraso registro aqui que meu irmão e eu (e mais cento e tantos passageiros) passamos quase duas horas (uma hora e cinqüenta minutos) esperando pelo vôo que nos traria de Salvador para o Rio de Janeiro. A decolagem, marcada para 1h:10min, saiu 3h no horário de Salvador.
Esse foi o fato. Enquanto essa espera quase normal em nossos aeroportos acontece os passageiros são obrigados a passar seu tempo no aeroporto, sem que a empresa tome qualquer iniciativa de auxiliar e compensar essa desagradabilíssima situação. Depois de passarmos 40 minutos na fila do check-in fizemos algumas palavras cruzadas, lanchamos (gastamos R$10,00) e vegetamos, enquanto poderíamos estar dormindo à companhia de nossos pais, ou prestes a isso. Se o atraso fosse nosso perderíamos o vôo sem sermos ressarcidos e teríamos de voltar para casa certos de que fomos irresponsáveis. Mas eles não. Têm a liberdade de retardar algo previamente estabelecido sem receberem uma punição adequada. Tudo porque são mais influentes, porque detêm o capital, porque fazem parte do grupo que manda e desmanda no país: à elite.
Refletindo brevemente me pergunto o motivo pelo qual nós temos de arcar com o preço de uma passagem quando atrasamos mas eles não são obrigados sequer a pagar-nos um sanduíche no caso contrário. Qual o motivo de vermos imposições contratuais, enquanto nós simplesmente devemos concordar com essas clausulas que nos tornam escravos do bel prazer do grande capital.
O mundo está muito torto mesmo. O pior é que esse mundo torto foi criado pelo homem. E o que o homem criou o domina e degrada em passos de elefante.
Ainda em tempo: A empresa que atrasou nosso vôo foi a Gol Linhas Aéreas, que poderia muito bem ser chamada Atraso Linhas Aéreas. Ironicamente, a Gol se declara adepta de uma política "low cost", ou seja, de baixo custo para atrair a população de menor renda. O pior: o atraso aconteceu em vôo da madrugada. Algo que chamou a atenção é que apenas a Gol tinha passageiros em fila de check-in, o que demonstra uma despreparada tentativa de absorver o maior número de passageiros sem qualquer responsabilidade com o consumidor.
Abaixo vai um comentário na página da CMI Brasil (Centro de Mídia Independente) que esclarece o motivo do início do protesto na Grécia. É simples, com seria iniciar um movimento desse no Brasil. Mas...
Grécia
Na verdade o real motivo que deu início aos protestos foi a aceleração do processo neoliberal de privatizações e aumento das desigualdades sociais.
Os grupos que estão se opondo a esta política aplicada pelo ultra-conservador burguês Costas Caramanlis são grupos de Comunistas e Anarquistas com enorme peso político no país, daí a repercussão das mobilizações. Esta situação se agravou com o assassinato do jovem de 15 anos.
fonte: www.midiaindependente.org
Título: Polícia grega assassina jovem anarquista em Atenas
Mais um texto sobre a calamitosa situação na Grécia. A reação da população grega é um exemplo de coragem, exemplo do que deve ser feito por uma população oprimida, destituída de direitos que considera mínimos. É totalmente o oposto do brasileiro, que se contenta com quase nada e acredita que pode melhorar um pouquinho de vida passando por cima do outro. Em breve colocarei o texto traduzido, para quem não entende inglês. De forma resumida, esse é um manifesto explicativo e reinvidicativo de um dos grupos participantes de um movimento que, se não é belo pela violência da polícia, é belo pela coesão da população, pela identificação de um ideal de mudança. Leiam!
Nothing is Over-We are only the begining-Statment (Trans. from Greek) Panos | 12.12.2008 10:46
After a stormy assembly in a stormy weather and with spirits electrified from the buzz of the last days,we, comrades from the western suburbs, came up with the following text-declaration. The universality of the internet and the global interest gave us the audacity to make this statement Universal!
We find ourselves in the sixth to seventh day of the revolt and we sense that it ALL starts now. The events not only seem to not be defusing but on the contrary, they seem to be escalated non stop. Who are behind the revolt? Whose actions, deeds and movements keep and grow its flame? The anarchists ? The students ? The immigrants ? The unemployed and the humiliated? The youths from the rich Northern and Southern suburbs? The gypsies? The hooligans? The workers? To all of them and many more belong the actions that shape the unstoppable lava that was awaken when the unthinkable murder of Alexis that shook all of Greece took place on Saturday night All of us together with our differences we write history and we shake the whole planet. This revolt, not only will not stop but is intended to spread across Europe and the whole world. In this framework, we can comprehend the panic of the State. But nothing can forgive or justify or make bearable the incredible, unmatched orgy of violence that it continuously sets off. How much rather when this violence is not recorded or when it is unbearably distorted from the media. Our comrades have suffered unjustified beatings, pupils are beaten mercilessly, fascists make use of their weapons, secret cops act out of control, immigrants have their lives threatened but for the media there is only burned shops and "criminal" looting. Unlucky for them what is left is old aged housewives and the rest of little scared men like the finished fascist followers. Our rage for all them has no limit and from now on they should be careful. The rebellion turns the impossible to possible.It is the dream that wakes up when the never ending nightmare before ends. Because comrades, what we lived in the Western suburbs, Athens, the whole world, was a nightmare. In an ugly city to spit every day on our misery,to kill our imagination, to be scared of our neighbor, to remain helpless in our incapability being bombarded by made up advertisements that make us believe that we are worth for what we have and not who we are. Alexis, we are ashamed of you because it took your blood us to wake us up from the nightmare and live the dream of life. But if we are ashamed of you, the others should be fearing you with a fear that paralyzes their guts. First of all the cops that dress up like revolting people to abduct pupils and take them to the dungeons of central offices. NO MERCY FOR THEM.THEY CAN'T HIDE FROM US. Their punishment is coming and no State can save them. You are the ones that spread the worst catastrophism,the vile deafeatism, the insane fear and all that just to save your skin. You will not save it. But it is not only you that do all the above. ALL the parliamentary parties live in distress and are dying to diffuse the revolt. The lower-middle class people that cannot think of their life without their little shop. Dehydrated existences that only live for their money income, they also have their fears of existence. They don't have to fear us that much. Apart from those who actively and openly help the murdering State, the rest will be left to their unbearable misery. And well done to those of them that went further than them selves and took part in the events on the right side. As much as it is suppressed, they are not few. But we wrote enough for the lower-middle class. History is written now from other powers and those powers will strengthen their presence overwhelmingly in the next days. After six days of colossal battles,fatally TODAY is the start of the second round with new heights and landmarks to reach. TODAY at 12 o'clock at Propulaia is the rendezvous with history. The pupils that have suffered the worst kind of police brutality will be there, the students of the 2006-7 revolts will be there, the unemployed that fight against depression and humiliation will be there, the workers who lately look at their boss with a different eye will be there, the immigrants who for years know what dictatorship means will be there, we ,from the Western suburbs who for years are torn by the most ridiculous regionalisms, will be there. WE WILL ALL BE THERE. We are accused that our rebellion is inarticulate, blind, reactive. That we don't know what want and what we don't want, yet. That we are thieves and destroyers. Well then, we know what we want and we we don't want. We don't want cops paid to terrorize teenagers. We don't want chemical war that blocks our lungs and blinds our eyes.We don't want riot police, bodyguards,pimps,parasites,bouncers,professions of violence and force. We don't want polluted air, and burned forests, concrete that kills the earth. We don't want prisons that annihilate the individual, absurd laws about cannabis, cameras that supervise life in order to protect inanimate property. In this draft of manifesto for life after the revolt we ask and shall impose 1) Liberation of the wider center of Athens from cars. City for pedestrians, bikes and children 2) Transformation of the destroyed banks to asylums for the poor,libraries and free internet points as well as coffee shops as in Amsterdam. 3) Transformation of police departments into kitchens that would offer natural food, free of charge to whoever asks and is in need of. 4) Copyleft all intellectual,informative material as well as free 1gbps internet with modern optic fibers. 5) Stop the use of oil and natural gas and replace them with high tech solar energy beehives and other completely recyclable energy sources. 6) Assaults to all the covered from the police whore houses and release of the forced prostitutes. Positive recognition of the feminine sexuality as a right that will be practiced by choice. no mercy to rapists and pedophiles. no humiliation to those who enjoy their sexuality in different way provided that they do not do it by using force 7)Assaults in prisons and release of everyone unless they have been proven to be related with crimes of pederasty,rape,racism and white slavery. 8)Priority to children and their needs for play, love, tenderness and joy 9)Free infrastructure; educational and medicinal with simultaneous restriction of arbitrariness and power of those working there. Responsible,open,friendly relationships between doctor-patient and pupil-teacher. 10) Free transportation and encouragement of the use of bikes in the city, while expanding trains across the country
These are roughly what we want and will achieve. Maybe some others equally essential are absent but those mentioned are not a few nor negligible. We know that our movement not only has acquired world interest but it has taken to inspire a global revolt. As we drew upon the 10 rough points of "what we want" it was under serious consideration. At the same time when the tear gases of power according to many sources are going down in numbers we declare our solidarity to the Palestinians that loose their Alexis' every day and we condemn the Israeli government that is prepared to send new loads of tear gas to the Greek government. However we are not antisemitic and we accept the solidarity of any Israeli who wants to give it and has not had his hands blooded from from the Alexis' of the Palestinians, we accept him with the same joy as everyone. It is fatal in the era of internet this rebellion to shine across the globe. To shout out loud that the blood of a 15 year old cannot be exchanged with all the money in the world. To show the value and the meaning of life over money and stock markets and banks now that the monetary system is crashing. To reveal that the State is cruel and murderous.To reveal the void and distorted emptiness of an unlivable life.Comrades of the world, pass the message and follow us. We, from the Western suburbs, will be on the streets of Athens today, to light the flame of the revolution and no storm can stop us.
[Debaixo de uma forte chuva, a Grécia voltou a registrar confrontos entre jovens e policiais nesta sexta-feira, no sétimo dia de protestos pelo assassinato de Alexis Grigoropoulos, 15, por um policial ocorrido no sábado passado (6), em Atenas.]
Manifestantes e policiais se envolveram em novo violento embate às portas do Parlamento grego. Jovens atacaram os policiais com coquetéis molotov, pedras e outros objetos; e os policiais responderam com bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral.
No protesto desta sexta-feira, os jovens carregavam faixas com os dizeres “o Estado mata” e “o governo é culpado de homicídio”. Um dos manifestantes cobriu a escultura instalada diante do Parlamento, a Tumba do Soldado Desconhecido, com uma bandeira anarquista.
Segundo agencias internacionais de notícias, o prejuízo pelos danos causados nos protestos já ultrapassa 1 bilhão de euros. E conforme fontes da polícia, o principal problema, agora, é a reposição do estoque de bombas de gás lacrimogêneo, a principal arma usada contra os manifestantes. Mais de 5.000 já foram utilizadas, e a Grécia pediu reforço para as polícias de Israel e da Alemanha.
Direto da Grécia, sexta-feira
Centenas de estudantes enfrentaram a polícia em vários pontos de Atenas, atirando pedras e bombas incendiárias contra uma dezena de delegacias.
Em seis dos quartéis se registraram danos materiais, além de que um transeunte ficou levemente ferido por uma bomba de gás lacrimogêneo na localidade de Jalandri, próximo da capital.
Nas imediações da Universidade Politécnica, as pessoas que tomavam café nos terraços, se levantaram e começaram a atirar pedras contra a polícia para que deixasse de bater nos manifestantes.
As televisões gregas informaram que também têm sido produzidos atos repressivos na cidade portuária de Tesalônica. Ali, a polícia deteve 12 pessoas, a maioria menores de 14 anos, que respondiam as investidas policiais atirando frutas e pedras contra os agentes nas proximidades da Torre Blanca, no centro da cidade.
A polícia lançou gás lacrimogêneo contra os manifestantes que se refugiaram nas instalações da Universidade de Aristotélio.
Rádio ocupada
Uns 80 ativistas ocuparam a emissora privada Flash Radio para ler um comunicado contra a repressão.
Os meios de comunicação comerciais prosseguem em sua estratégia tentando colocar toda a culpa da revolta popular sobre as costas do primeiro ministro. Não é que não tenha grande parte de culpa (ainda que seja o mandante), mas o objetivo desta tática é para que o povo acabe lutando pela renúncia deste politiqueiro, como se isso fosse à solução de todos os problemas.
Isto se torna patente quando informam sobre a ocupação da emissora Flash Radio por ativistas para ler um comunicado contra a repressão. Os meios dizem que foi “para ler um comunicado criticando a Karamanlis”.
Menina de 13 anos brutalmente presa
Quando a manifestação estava terminando em Atenas, os antidistúrbios atacaram na rua Korai, prendendo pelo menos quatro estudantes. Uma delas era uma menina de 13 anos; vários jornalistas próximos reagiram a brutal detenção e também foram violentamente golpeados.
Horas antes, o escritório de Alexis Kougias (advogado do assassino) foi atacado.
Agentes secretos em um carro com placas falsas seqüestraram dois estudantes, espancá-los e depois os deixaram em liberdade na porta de um instituto escolar de Ilioupolis.
Prefeitura Auto-organizada de Áyios Dimítrios
No bairro de Áyios Dimítrios, a Prefeitura segue ocupada. A noite foi realizada uma assembléia popular onde participaram mais de 300 pessoas de todas as idades. Foi falado sobre muitos assuntos de como é a auto-organização da luta, o tema da violência, as razões da explosão social, os problemas dos imigrantes, dos desocupados… de todos nós.
Durante a assembléia se notou a necessidade das pessoas tomarem suas vidas em suas próprias mãos, que é uma “ocasião” de uma mudança radical… algo que há algum tempo atrás parecia impossível.
O mito bem construído, por parte dos meios de comunicação, durante os últimos anos sobre grupos de hooligans encapuzados que destroçam a propriedade privada foi derrubado. Pais, avós, crianças, anarquistas… todos juntos debateram em um clima de respeito, horizontalidade e auto-organizado.
Foi decidido na assembléia: a continuação da ocupação até que estejam livres e sem encargos todos os detidos; às 17:00 teatro; às 19:00 manifestação pelo bairro; após nova assembléia popular; e assembléia da Prefeitura ocupada
Atenas em rebeldia
Mais de 10.000 pessoas na manifestação de hoje no centro de Atenas. As intenções da polícia eram claras quanto a impedir a realização da mani, já que antes de seu início atacaram com gás lacrimogêneo a concentração. A polícia tem atacado os manifestantes e os jornalistas que são impedidos de gravarem com suas câmaras as barbaridades policiais. Na rua Koraí a policia atacou jovens, e também professores, sindicalistas e jornalistas que tentaram proteger os jovens.
No geral, é uma manifestação enorme e pacífica (por parte dos manifestantes), algo muito importante nestes momentos, já que é uma resposta muito clara ao Estado e aos meios de comunicação, que falam de provocadores e hooligans, numa tática de intoxicar a opinião pública.
O povo de Pátras deu a resposta aos fascistas e aos policiais a paisana…
…que durante os últimos dias aterrorizavam os manifestantes e toda a cidade
Hoje mais de 5.000 pessoas saíram às ruas de Pátras manifestando-se, dando assim a melhor resposta ao terror que “cultivavam” ultimamente “fachas” junto com a polícia. Pela manhã cidadãos atacaram um policial.
Vale à pena mencionar, que a Associação de Pequenos Comerciantes fez um comunicado dizendo que não houve destruição na cidade e a única coisa que aconteceu, segundo seu presidente, em uma entrevista na TV, foi a destruição de uma vitrine, isto pelas pedras que atiravam os policiais antidistúrbios nos manifestantes.
DEPOIS DE AUXÍLIO AOS BANCOS, AGORA VEM AUXÍLIO ÀS MONTADORAS...
Depois de auxílio aos bancos estadunidenses, o governo estuda a possibilidade de ajuda às montadoras. Essa medida está sendo posta em prática em diversos países capitalistas. O que me incomoda é uma simples questão: por que esse dinheiro não é utilizado para beneficiar a enorme população desempregada e pobre no paíse e no mundo?; por que esse dinheiro não cria empregos e é investido em micro-empresas?; por que não fomentar a agricultura de sub-existência? Por que o dinheiro é sempre investido para que o grande capital, de geração de grandes lucros para poucas pessoas, evolua enquanto milhões de pessoas trabalham a vida inteira para levar uma vida regrada e, muitas vezes, escassa? Minhas reflexões têm sentido ou existe algum exagero? Estão estes economistas, sob minha visão megaomanos, com razão?
A notícia abaixo é da redação do UOL.
Casa Branca pode usar pacote de US$ 700 bi para socorrer montadoras
Da Redação Em São Paulo
A Casa Branca anunciou nesta sexta-feira que está considerando a possibilidade de usar parte dos fundos do plano de resgate financeiro, de US$ 700 bilhões, para impedir a quebra dos fabricantes de automóveis em crise, depois que os congressistas não conseguiram acordo para um projeto alternativo.
"Em vista da atual situação de fragilidade da economia americana, consideramos outras opções se for necessário, inclusive o uso do programa TARP, para impedir o colapso dos fabricantes de automóveis em crise", disse a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, referindo-se ao programa de assistência às empresas em dificuldades, inicialmente voltado para empresas do setor financeiro.
Na noite de ontem, o Senado dos Estados Unidos não chegou a um acordo sobre o plano de US$ 14 bilhões para socorrer os três principais fabricantes de automóveis daquele país, General Motors, Ford e Chrysler. A rejeição ao texto ocorreu por parte de republicanos. Um dia antes, a Câmara havia aprovado o projeto.
O argumento dos republicanos é que o texto em discussão não oferece garantias para a viabilidade das montadoras em longo prazo.
Colapso de gigantes A GM e a Chrysler precisam, com urgência, da ajuda pública até o final do mês. A Ford, em situação menos problemática, pede uma linha de crédito que poderá ser utilizada se suas finanças ficarem pior que o esperado em 2009.
Os três gigantes do setor automotivo dos Estados Unidos empregam, juntos, 240 mil pessoas diretamente. Com a inclusão dos postos de trabalho indiretos, a exemplo de autopeças, outros fornecedores e concessionárias, o setor representa 2,2 milhões de empregos e US$ 65 bilhões anuais em salários. A indústria afirma que é responsável por 10% dos empregos norte-americanos.
(peço a todos que divulguem massivamente este chamado)
Domingo último, dia 07/12, deveria ter sido um dia de festa: um clube brasileiro pela primeira vez se tornava tricampeão nacional de forma consecutiva.
Mas o que deveria ser amplamente comemorado como o sucesso de uma nova fórmula de campeonato no Brasil acabou se transformando na repetição de algo que o país se “acostumou” a assistir desde há muito, algo que rememora os anos de chumbo da ditadura: o assassinato de um torcedor já rendido por um policial que, ao tentar abusar do poder pela sociedade nele investido com uma coronhada absolutamente desnecessária, atirou contra a cabeça da vítima.
O caso, como tantos outros, foi notícia por todos o país. Serviu, como sempre, pra chocar de uma forma paralisante. Quatro dias depois, Nilton César de Jesus, 26 anos, o torcedor baleado, faleceu no hospital no Distrito Federal, enquanto José Luiz Carvalho Barreto, o policial autor do disparo, recebeu o bônus do habeas corpus ao ser enquadrado por “lesão corporal grave”.
Qualquer um que viu o vídeo do tiro pode perceber que a imprudência do policial claramente qualificaria seu ato como “homicídio culposo”, ato sem a intenção de matar, mas que acabou matando. Mas a força política da corporação policial é grande, e o assassino está - e muito provavelmente continuará por longo tempo - solto.
O caso, infelizmente, não é único. No mesmo dia, outro torcedor foi morto a tiros na zona leste de São Paulo durante as comemorações do título. E tantos outros já morreram em tantos jogos pela história de nosso futebol.
A violência, entretanto, não é exclusiva do esporte, está em todo lado. Violência que começa quando a relação social mais comum entre duas pessoas é a de comando, de hierarquia, de força, algo que se transforma em risco de morte quando entram em ação armas de fogo.
No futebol, onde a aglomeração de pessoas por partida é enorme, tal violência se instaura com ainda mais facilidade quando se assiste uma elitização e uma militarização crescentes de tudo que envolve o jogo: torcida impedida de levar faixas, preços de alimentos e horários de jogos absurdos, polícia que humilha e trata o torcedor enquanto bandido. E que entra em campo e leva jogador preso, como se viu no Recife por mais de uma vez em 2008, e que atira em torcedor desarmado e já rendido, como Nilton. Isso sem falar que o comandante da arbitragem paulista é um coronel da polícia.
Na Itália, a morte do torcedor da Lazio Gabrielle Sandri, em episódio bastante parecido com este de Brasília, causou revolta nos torcedores de todas as equipes do calcio, inclusive da rival Roma. Jogos foram paralisados e adiados ante a ameaça de invasão do gramado por parte das torcidas, em ação de protesto pelo assassinato sem sentido. O caso levou tanto o poder público quanto a federação de futebol de lá a ao menos parar para repensar as relações de força.
Aqui, no país pentacampeão do mundo, já tivemos, enquanto torcedores, inúmeras possibilidades de agir da mesma forma, e as desperdiçamos. Pensando nisso é que o Autônomos FC, equipe amadora de futebol de várzea, convoca os torcedores de todas as equipes a comparecerem com suas respectivas camisas a um ato em repúdio à violência policial e à militarização do futebol, domingo, 14/12, com concentração saindo da frente do cemitério das Clínicas e partindo para a Praça Charles Miller, onde acontecerá uma partida de futebol espontânea e livre em protesto à tentativa de controle de nossos corpos e mentes nos estádios do país e em memória de Nilton e de todos os torcedores mortos de maneira estúpida pela corporação policial.
Futebol é um lugar de festa. E festa não combina com botas, fuzis e capacetes, nem com proibições arbitrárias como as que perpetram nos estádios paulistas. Vamos mostrar que para além de apaixonados por esta ou aquela equipe, os mesmos que sustentam todo o mercado do negócio futebol, somos torcedores, classe única, que não aceita a morte de um companheiro de boca fechada e braços cruzados.
Em nome de todos os torcedores que querem um futebol mais democrático,
IMAGENS DO TIRO QUE RECEBEU O TORCEDOR DO SÃO PAULO NO JOGO DO HEXACAMPEONATO
Na eminência do início da última partida do campeonato brasileiro que sagrou o São Paulo o primeiro hexacampeão brasileiro da história e, por enquanto, o único, ocorreu uma cena triste em diversos aspectos. Além de triste, o fato nos leva a refletir sobre alguns pontos da organização política, civil e policial brasileira. Segue abaixo o vídeo do incidente.
vídeo: www.youtube.com.br
Tentamos sempre achar um culpado para certas situações e, muitas vezes, pecamos ao centralizar a discussão do ocorrido em torno de um aspecto. Para mim foi o que aconteceu na transmissão da notícia pela mídia brasileira, quando colocou apenas o policial como agressor na situação.
No início da confusão vemos um grupo de torcedores sãopaulinos arremessando pedras e afrontando torcedores do Goiás. Logo em seguida outro pequeno grupo corre da polícia, enquanto um dos membros arremessa, supostamente, pedras na direção dos policiais. Aí deve se centrar uma das análises. O que fazia esses torcedores lançarem pedras em adversários e policiais? Podemos ver na imagem e confirmar em texto divulgado pela imprensa que o homem atingido é membro de uma torcida organizada do São Paulo, do tipo de organização que, sabemos, constantemente causa confusão e violência. E daí parte a conseqüência, desastrosa é bem verdade.
Após o vandalismo dos torcedores, atestado na imagem, nos deparamos com a incompetência, inconseqüência e violência da Polícia Militar de Brasília, mais um órgão policial a passar por situação vexatória (lembremos, por exemplo, dos policiais cariocas que atiraram irresponsavelmente em carro de uma mulher com seus dois filhos, em que um foi morto, exemplo citado no vídeo), sendo essa parte da análise da mídia a que tem toda a razão de ser. A atitude desmedida do polícial deu um "gran finale" à falta de civilidade iniciada pelos torcedores. A coronhada não seria necessária para conter o torcedor, já que, como nítido, o homem se rendera ao polícial, que precisava atestar sua autoridade (ou, porque não dizer, sua masculinidade?).
A cena é dramática, assim como a qualidade da polícia brasileira. Dentre todos os pontos (seja a inconseqüência dos torcedores, da polícia, a situação de tensão eternamente vivida pelos policiais ou qualquer outra vertente a ser analisada) podemos tirar uma conclusão: estamos muito mais próximos da barbárie do que imaginamos com nosso retrógrado conceito de civilização. Problema de ética, moral? Problema de humanidade!
Fiquei sabendo hoje de um novo projeto de lei que dará segurança para o emprego de homens cujas esposas estejam grávidas. Particularmente considero interessante. Segue abaixo a notícia:
Marido de grávida terá estabilidade
Extraido de: Academia Brasileira de Direito 05 de Dezembro de 2008
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou ontem, em caráter conclusivo, projeto que proíbe a dispensa arbitrária ou sem justa causa do trabalhador cuja mulher ou companheira estiver grávida, por um período de 12 meses. Pelo projeto, de autoria do presidente da Casa, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), o prazo a ser contado é a partir da concepção presumida, comprovada por laudo de médico vinculado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta ainda precisa ser votada no Senado e passou pela Câmara em um momento de crise econômica e ameaça de demissões no País.
Chinaglia comemorou a aprovação. "Ao propor este projeto, minha preocupação foi com a criança e a família. Não consigo imaginar, no nascimento da criança, um pai desempregado. É uma forma de dar maior tranqüilidade à mãe e isso repercute também na saúde do feto e do recém-nascido. Espero que o Senado aprove."
O presidente da Casa disse acreditar que não haverá pressão de empresários para que a proposta não entre em vigor. "Qualquer empresário moderno e lúcido sabe dos benefícios e da maior produtividade dos empregados que têm benefícios. É apenas um critério para proteger os pais que terão filhos, para que eles não sejam os primeiros em listas de demitidos. Não acredito em reação dos empresários, esse tipo de medida não caracteriza o engessamento das relações trabalhistas. Há países onde os trabalhadores têm muito mais proteção que os nossos", afirmou Chinaglia.
Porém, ontem mesmo a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nota em que se diz preocupada com a aprovação projeto pela CCJ. Segundo a nota, a CNI espera que "o Senado reforme essa decisão". Para a entidade, propostas como essas "podem gerar efeitos colaterais indesejados ao afetar a competitividade empresarial e até mesmo inibir a geração de empregos".
De acordo com a CNI, a proposta é inoportuna, pois "agrega mais um risco associado à legislação trabalhista, com reflexos negativos sobre a gestão das empresas". Para a entidade, o projeto também é inconstitucional.
Pelo texto aprovado, o empregador que desrespeitar as regras fica sujeito a multa equivalente a 18 meses de remuneração do empregado. Porém, as regras não valem para o trabalhador contratado por tempo determinado.
A CCJ analisou o projeto apenas nos seus aspectos de admissibilidade, ou seja, se estava de acordo com a Constituição e com as normas gerais do Direito. O mérito já havia sido analisado pela Comissão de Trabalho.
Para vocês, aborto deveria ser legal ou deve ser mantido como crime?
Para algumas pessoas o aborto é um atentado contra a vida. Essas pessoas consideram que a célula embrionária já é uma pessoa, embora não tenha qualquer tipo de definição estética ou sentidos. Alguns consideram o aborto uma afronta à vontade divina, sendo contra o aborto, inclusive, em caso de estupro. Muitas dessas considerações se baseiam na grande teia informacional do mundo de hoje, o que permite às mulheres acesso aos meios contraceptivos, sendo ela obrigada a arcar com o "erro" cometido.
Outras pessoas consideram que o aborto deveria ser permitido por acreditarem que o ser humano tem pleno direito sobre seu corpo. Sendo assim, poderiam resolver de acordo com o que bem entendem. Outras consideram absurda a idéia de obrigar uma mulher a parir uma criança fruto de tamanha violência, como o estupro.
Em meio a esses argumentos é sempre bom lembrar que, legal ou não, o aborto é amplamente executado no Brasil e, pela clandestinidade, provoca diversas mortes.
Senhoras e senhores, é muito bonita e louvável a comoção nacional pela tragédia em Santa Catarina, mas vou fazer um pedido muito bem alertado por Igor, um amigo meu, e reiterado hoje pela lembrança da situação do sertão: nunca se esqueçam das secas do Nordeste!
http://mais.uol.com.br/view/129408
Essa notícia é do mês de novembro, mas devemos lembrar que a situação é cíclica, sempre tornada mais agúda quando ocorre o El Niño (segundo ouvi, pode estar acontecendo este ano). A população pobre é a que mais sofre perdendo seus meios de subsistência, enquanto a rica no máximo sofre com uma safra menos voluptuosa. Temos que parar para refletir que as tragédias ocasionais devem ser suportadas, mas que as tragédias anunciadas devem ser cotidianamente combatidas.
Sempre que se aproxima um vestibular um assunto volta à tona. Como se sua discussão passasse apenas pela situação do vestibular, processo seletivo mais temido nos quatro cantos do Brasil. Mas a verdade é que para tratar das cotas temos de ir muito além do vestibular.
As pessoas costumam ter uma idéia muito errada sobre alguns aspectos das cotas. Aqui em Salvador, por exemplo, muitos questionam o porquê de as cotas serem para negros. Isso é falta de informação sobre a medida. As políticas afirmativas, ao menos na UFBA, prevêem cotas para estudantes de escola pública em primeiro caso. Apesar disso, possuo ma crítica às condições estipuladas, ou a falta delas, mesmo para este tópico. Por que alunos de CEFETs e Colégios Militares estão inseridos na política de cotas se a idéia da medida é integrar à Universidade alunos que não tiveram a possibilidade de freqüentarem uma boa instituição de ensino?
Para confirmar o que afirmo, de que as cotas têm, inicialmente, um intuito escolar, peço se olhem no guia de inscrição alguns pontos como o de declaração de ter freqüentado escolas públicas nos ensino médio e fundamental (2º e 1º graus). Para estar nas condições de cotista o candidato deve ter cursado no mínimo 1 ano do ensino fundamental e todos os anos do ensino médio. Ilustro esses termos com o vivenciado por um amigo meu. Ele se inscreveu como cotista no vestibular. Foi aprovado para o curso de História na UFBA, mas havia apenas cursado o ensino médio em escola pública, sendo desclassificado do vestibular. Além disso, ele é afro-descendente, o que prova o caráter social das cotas.
Dentro das vagas destinadas a essa política existe outra cota, aí sim racial. A divisão é a seguinte: 36,55% das vagas destinadas a candidatos que se declararem pretos ou pardos, 6,45% das vagas a candidatos de qualquer cor ou etnia e 2% a candidatos índio-descendentes. Talvez devam ser revistos esses percentuais, como o destinado a índios, por exemplo, mas sem dúvida é justo o grande percentual de vagas reservadas à população negra, como forma de transformar a estrutura racista de nossa sociedade (leia bem: estrutura racista, não mentalidade racista). É bom lembrar que o percentual de vagas para cotistas deve aumentar de 45% para 50% num futuro próximo.
Muitas pessoas questionam a política por relatarem que os alunos cotistas não têm condições financeiras e educacionais para acompanhar a faculdade, além de que a medida supostamente aumenta o racismo nas universidades e desrespeita o princípio da igualdade. Como integrante do corpo discente da UFBA tenho uma opinião sobre cada uma dessas afirmações.
O problema financeiro é uma realidade triste, sobretudo em cursos que obrigam a compra de material por parte dos alunos para seguir determinadas matérias. Em Odontologia, por exemplo, pode-se chegar a um custo de mais de R$4000,00 em um único semestre, valor que um aluno cuja renda familiar não chega a 1 salário mínimo não pode arcar. Mas isso está longe de significar uma inutilidade do sistema de cotas. Na realidade é uma demonstração de que o sistema ainda possui falhas que precisam ser reparadas. Uma das formas de se resolver tal tipo de problema seria com a adoção de kits universitários, como acontece, ainda que de maneira tímida, dentro da própria faculdade de Odontologia. Não podemos esquecer que a UFBA, como outras universidades federais no Brasil, sofre com a falta de verbas, sendo tal problema mais acentuado em determinados cursos. Mas não podemos simplesmente negar a adoção de medidas de reparação social. O Estado precisa buscar alternativas para preencher essa lacuna financeira, sobretudo cobrando mais responsabilidade da iniciativa privada e investindo de forma mais inteligente no setor público, o que garantiria uma maior estabilidade para o próprio país.
As questões educacionais são muito controversas. Em cursos como Psicologia, onde estive presente durante mais de 2 anos, não era possível distinguir cotistas e não cotistas por seu desempenho acadêmico. Não existia um grupo que se sobrepusesse, até porque não houve segregação entre os alunos. Porém, é dito que em cursos de exatas existe uma defasagem grande pelos cotistas. Seria necessária então a implantação de matérias de fortalecimento, para que esses alunos conseguissem acompanhar o curso em pé de igualdade. Poderia se discutir quais seriam as formas de se executar isto. Talvez com matérias optativas. O certo é que se necessita de um acompanhamento, por parte dos departamentos e da própria reitoria, mais aproximado. A UFBA, especificamente, sofre com um distanciamento muito grande em certos setores e a reitoria, que deixa alguns campi funcionando como terra de ninguém ou o mundo perdido.
Sobre o suposto aumento da discriminação, é um argumento sem pé nem cabeça. O racismo não está na medida em si, mas na cabeça de quem discrimina. Ao prever que uma população historicamente excluída tenha o direito a ingressar na universidade com incentivos não se está sendo racista, mas coerente com uma visão de que existe uma estrutura fortemente montada que barra a ascensão social desse povo, em determinados aspectos carente, sobretudo quando se trata de atenção do Estado.
Outra ala, ou até a mesma, argumenta que a medida é racista quando viola o princípio da igualdade do ser humano, sendo que todos têm a mesma capacidade. Que todos possuem capacidades semelhantes é bem verdade, mas usar tal tipo de argumento para tentar combater a idéia das cotas é ser raso e até violar, contraditoriamente, o princípio da igualdade. Se pegarmos Salvador como exemplo, 80% da cidade é negra, enquanto algo em torno de 10% da população universitária da UFBA é negra. Ou seja, há uma inversão de valores. Quando se usa o princípio da igualdade como desculpa faz-se ocultamente um discurso com um pé no racismo, pois como seria possível haver tamanha desigualdade se todos possuem capacidades iguais e supostamente deveriam ter direitos iguais. A igualdade nas ações deve pressupor as desiguais condições de vida a que cada cidadão foi exposto.
Existe um argumento que também me incomoda muito, que é balizado na meritocracia. segundo tais “teóricos”, deveria entrar quem se dedicou mais. Ora, uma nota mais alta não significa maior dedicação nos estudos ou na vida particular. As notas do vestibular são, em muitas ocasiões, reflexo das condições de aprendizado e da própria aptidão pessoal para se compreender assuntos específicos e lidar com a prova do vestibular. Algumas vezes alunos que não se dedicam tanto ao estudo tiram notas mais altas que outros que se dedicaram por muito mais tempo. Sendo assim, o vestibular não é um concurso que analisa o mérito, mas os números que você conseguiu, seja por conhecimento, sorte ou qualquer outro aspecto.
Não defendo o sistema de cotas, como é bem possível perceber, como um sistema perfeito, infalível e auto-suficiente. Lógico que as desigualdades sociais e étnicas no Brasil só serão suplantadas com a atuação em diversos problemas da sociedade, a partir de medidas estruturais e paradigmáticas de longo prazo. Mas também é necessário perceber que as pessoas precisam de uma resposta e de uma atuação com certa urgência por parte dos órgãos responsáveis.
Respondendo à pergunta do início do texto, os CEFETs e os Colégios Militares fazem parte do sistema de cotas puramente pela influência de alguns setores beneficiados com tal medida, que se destaquem os militares. Até porque seria uma vergonha escancarada deixar os CEFETs fora da política e incluir apenas os Colégios Militares. Defendo, então, a reformulação de certos aspectos da política de cotas, sem que a influência de certos grupos aristocráticos sejam peso para distorcer uma medida que pode beneficiar uma boa parcela de nossa população.
Nas vésperas de se completar 1 ano da maior tragédia do futebol brasileiro, o desabamento de parte da arquibancada da Fonte Nova, presenciamos com mais um desastre. Dessa vez não envolve a Bahia e tampouco o futebol. Santa Catarina sofreu com uma chuva intensa que causou alagamentos, duto estourado (o que deixa a cidade sem água), deslizamento de terras, rodovias bloqueadas, carros soterrados, desabamento de casas e mortes. Assim como a tragédia no estádio baiano, essa enchente é considerada uma das piores da história do estado, para se ter uma noção da gravidade.
Como já nos acostumamos, as tragédias rapidamente são difundidas e podemos assistir a vídeos na internet. Mas dificilmente nos questionamos o porquê de tais coisas acontecerem com cada vez mais freqüência e intensidade em diversos pontos do mundo. Uma excelente metáfora utilizada por uma mulher entrevistada na TV, não exatamente nessas palavras, diz: “Se na Indonésia o Tsunami foi com água aqui foi com barro e árvores”.
Fenômenos como o Tsunami, certamente, são naturais e sempre existiram, assim como sempre existirão. Mas existem alguns pontos que nos levam a crer que a ação humana potencializa o poder destrutivo da “fúria da natureza”. A freqüência com que acontecem tais tragédias é um indício de que a ação humana que acentua o efeito estufa, destrói a camada de ozônio, acaba com a camada de vegetação natural, recobre de concreto boa parte da superfície terrestre, entre outras, mexe de forma significativa com o meio ambiente. O que me intriga é até quando vamos preferir manter esse nível de “estresse planetário” para sustentar nosso modo de vida pós-moderno. Comparo nossa situação diante da saúde planetária à de um usuário viciado em drogas. Nos acostumamos tanto com a poluição e as tragédias que nos tornamos insensíveis e diminuímos a magnitude de tais desastres para justificar a manutenção de um sistema que se mostra cada vez mais perigoso.
O ocorrido vai, por mais uma vez, ser objeto de reportagens sensacionalistas, forma de se angariar audiência pela mídia. Mas eu espero que pensemos no que causa, as conseqüências e o que disso tudo pode ser mudado. O que vem acontecendo é muito mais profundo que qualquer crise financeira especulativa, embora as notícias da crise das bolsas e bancos (por conta de um dinheiro invisível, impalpável) tendam a se manter com muito mais status nos noticiários nacionais.
Me solidarizo às vítimas de Florianópolis e cidades vizinhas. Muitos estão sem água, sem casa e sem a vida de seus parentes mais próximos. Espero que não precisemos passar por tantas tragédias para percebermos que existem formas alternativas muito mais interessantes de se ditar o rumo do planeta e do ser humano.
Hoje faz 1 ano que o futebol baiano está órfão do seu maior monumento. Fossem outras as circunstâncias talvez o torcedor não estivesse tão deprimido. Mas a tragédia ocorrida no dia 25 de novembro de 2007, na Fonte Nova, com a desabamento de parte da arquibancada, registrando 7 mortes e outros tantos feridos deixou cicatrizes em algumas famílias. Pior ainda é associar tamanho desastre a um momento de euforia pela ascensão do Bahia à segunda divisão nacional.
As circunstâncias que citei anteriormente não estão estritamente relacionadas à promoção do Bahia à Segunda Divisão Nacional. Tratam muito mais de como as autoridades responsáveis (CBF, Sudesb e talvez o EC Bahia) deveriam se portar diante da prevista situação calamitosa da Fonte Nova. Fosse o estádio interditado anteriormente para reformas nada disso teria acontecido. Mas a falta de gerência competente e a noção de que os maiores prejudicados não são os dirigentes, mas sim os torcedores fizeram com que os responsáveis mantivessem a Fonte Nova em funcionamento. Afinal, se o estádio suportou toda a temporada o que seriam mais alguns jogos? A resposta é simples: a confirmação da tragédia anunciada.
O estádio baiano já fora alvo de vistorias, sendo que laudos técnicos do dia 1º de novembro de 2007 (Fonte: Portal Terra/ Esportes; http://esportes.terra.com.br/interna/0,,OI2132044-EI1968,00-MP+responsabiliza+CBF+no+caso+da+Fonte+Nova.html) (se não me engano existia outro anterior) elaborados devido à participação do clube na Copa do Brasil assinalavam a precariedade do estádio e o risco eminente de desabamento. Sendo assim, porque a CBF (de Ricardo Teixeira), a Sudesb (de Raimundo Nonato, o Bobô, ídolo do Bahia, ou ex-ídolo...) não interditaram. E mais, porque o EC Bahia (digo, sua direção; Paulo Maracajá, Petrônio Barradas e companhia), em respeito e zelo por seus torcedores não mudou o mando de campo para algum lugar com o MÍNIMO de segurança. Muito dessa resposta se passa pela mercantilização que transformou o futebol, fonte de dinheiro. Mas, o pior, é que esse dinheiro, na maioria das vezes, não vai para o clube, mas para as mãos dos dirigentes corruptos, que existem aos montes no Brasil.
Além de não se precaverem com relação à má condição do estádio, as autoridades também não cumpriram com exigências do estatuto do torcedor. Segundo o estatuto, ambulâncias e profissionais (médicos e enfermeiros) devem estar à disposição no estádio para caso ocorra alguma emergência, o que não ocorreu, o que é descumprimento, do ponto de vista ético e moral, gravíssimo, pois dificultou o atendimento dos acidentados.
Até hoje pouco se viu de ação da justiça contra os culpados. O Bahia simplesmente pagou uma multa e teve perda de mando de campo. Ou seja, o ônus da tragédia recaiu sobre a instituição e não sobre as pessoas que a gerem. A CBF continua na mesma. E assim segue a cartolagem brasileira, escondida na impunidade. Enquanto isso os torcedores estão sem estádio, sem sua casa no futebol, tendo que pagar passagens para sair da cidade de seu time com o intuito de assistir aos jogos da equipe como mandante. E o pior, esses mesmos torcedores não recebem o mínimo de assistência, mesmo após terem sofrido com a irreparável perda de pessoas de seu círculo afetivo.
O Ministério Público Baiano já elegeu os culpados no caso. Falta que se tome uma atitude enérgica, parafraseando os árbitros de futebol, contra os verdadeiros culpados pelo acidente. Não são a torcida ou o clube enquanto instituição. São os dirigentes. São Ricardo Teixeira, Petrônio Barradas, Paulo Maracajá e Raimundo Nonato (Bobô).
PS. Existe uma proposta de reforma na Fonte Nova baseada no modelo do estádio de Hannover em que se planeja gastar algo próximo de R$ 230 milhões, com obras adicionais (anexas) orçadas em R$ 328 milhões. (fonte: Yahoo Notícias Brasil; http://br.news.yahoo.com/s/30092008/25/esportes-noticias-governo-apresenta-projeto-reforma-da-fonte-nova.html). Não podemos falar o que irá acontecer antes de acontecer, mas sabemos que tais tipos de obras sempre acabam em superfaturamento e desvio de dinheiro. Além disso, Salvador tem um déficit no caixa, com uma péssima arrecadação. No entanto a cidade precisa do estádio para as partidas. Não por conta da Copa de 2014, mas para seus cidadãos e para a comunidade esportiva baiana e nacional. Que seja construído um estádio seguro e condizente com nossa realidade. Nada de extravagâncias. Que seja tudo em seus conformes.